Produção de motos cresce 6,3% e emplacamentos batem recorde no primeiro semestre de 2026

Produção de motos cresce 6,3% e emplacamentos batem recorde no primeiro semestre de 2026
Diego Rodríguez Velázquez
5 Min de leitura

Abraciclo aponta demanda por mobilidade urbana e uso profissional como principais motores do resultado histórico.

O setor de duas rodas viveu um primeiro semestre de recordes no Brasil. De acordo com dados divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), a produção nacional de motocicletas somou 1,063 milhão de unidades entre janeiro e junho de 2026, alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025. No varejo, o resultado foi ainda mais expressivo: os emplacamentos ultrapassaram 1,174 milhão de unidades, o maior volume já registrado para um primeiro semestre, com crescimento de 14,1% na comparação anual. O desempenho reacende uma pergunta comum entre quem acompanha o setor: o que está levando tanta gente a comprar moto no Brasil justamente agora?

O que explica o recorde de vendas no semestre

Segundo a Abraciclo, o resultado positivo reflete uma demanda consistente em praticamente todos os Estados brasileiros, sustentada por três fatores principais: economia no custo de uso, facilidade de deslocamento nos grandes centros urbanos e a expansão do uso profissional das motocicletas. Esse último ponto ganhou ainda mais relevância nos últimos anos com o crescimento do setor de entregas por aplicativo, que transformou a moto em ferramenta de trabalho para milhares de brasileiros. Some-se a isso a chegada constante de modelos com tecnologias mais modernas, o que renova o interesse de quem já possui uma moto e busca trocar por versões com mais conforto e eficiência.

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, destacou ainda um movimento interessante de comportamento do consumidor: muitos compradores estão começando com modelos de entrada e, aos poucos, migrando para motocicletas maiores conforme ganham familiaridade e renda disponível. Essa lógica de progressão ajuda a sustentar o mercado de forma mais duradoura, já que cria uma base de consumidores fiéis que tende a repetir a compra ao longo dos anos. Apesar do resultado positivo, a Abraciclo chamou atenção para uma peculiaridade de junho: no mês, a produção recuou 15,1% frente a junho de 2025 e caiu 29,9% em relação a maio, movimento atribuído às férias coletivas programadas pelas fabricantes no Polo Industrial de Manaus, e não a uma perda de fôlego do mercado.

Programas de incentivo e o desafio para o segundo semestre

Um fator que promete influenciar o segundo semestre é a implementação do programa Move Brasil, voltado a entregadores e usuários de aplicativos de mototáxi. Segundo reportagem da AutoIndústria, a entidade avalia que o programa não deve, por si só, incrementar de forma significativa as vendas do setor, já que o público de entregadores profissionais já representa uma fatia relevante e já bem atendida da demanda atual. Mesmo assim, a Abraciclo optou por manter sua meta original de crescimento de 4,5% para 2026, projetando uma produção total de 2,07 milhões de motocicletas no ano, o que indica cautela da entidade diante de um cenário ainda sujeito a oscilações mensais como a observada em junho.

Do lado dos modelos, a preferência do consumidor brasileiro segue concentrada nas motocicletas de baixa cilindrada, historicamente responsáveis pela maior fatia das vendas em razão do custo de aquisição mais acessível. Ainda assim, levantamentos anteriores da Abraciclo já mostravam um avanço proporcionalmente maior da alta cilindrada em determinados meses do ano, sinalizando espaço de crescimento também no segmento premium, voltado a um público que busca a moto como opção de lazer e não apenas como ferramenta de trabalho. Esse equilíbrio entre entrada e premium deve seguir sendo observado de perto pelas montadoras ao longo do segundo semestre, especialmente à medida que novos modelos são lançados no mercado nacional.

Com um semestre de recordes nas costas, o setor de duas rodas chega à segunda metade de 2026 em posição confortável, mas atento a variáveis que fogem do seu controle direto, como o comportamento do crédito ao consumidor e o ritmo de expansão dos aplicativos de entrega e transporte. Para quem está avaliando a compra de uma moto neste ano, o cenário de oferta aquecida tende a significar mais opções de modelos disponíveis nas concessionárias, ainda que sem garantia de queda expressiva nos preços diante da demanda consistente registrada nos primeiros seis meses do ano. Fontes: AutoIndústria, Jornal Cruzeiro do Sul.

Compartilhe esse artigo