Mottu supera Shineray nas vendas de motos e assume 3º lugar: o que isso revela sobre o mercado brasileiro

Mottu supera Shineray nas vendas de motos e assume 3º lugar: o que isso revela sobre o mercado brasileiro
Eva Vercelli
9 Min de leitura

Resultado de agosto mostra força das motos de baixa cilindrada e o crescimento de modelos voltados ao trabalho e à mobilidade urbana.

O mercado brasileiro de motocicletas ganhou uma nova disputa em agosto de 2026. A Mottu terminou o mês pela primeira vez à frente da Shineray entre as marcas mais emplacadas do país, registrando 11.983 unidades contra 11.392 da concorrente, uma diferença de 591 motos. O resultado colocou a Mottu na terceira posição mensal, atrás apenas de Honda e Yamaha, em um momento de forte expansão do segmento de duas rodas.

O dado chama atenção porque a Mottu tem um modelo de negócio diferente do tradicional mercado de motocicletas: sua atuação está fortemente ligada à locação de motos para trabalhadores e usuários urbanos. Mais do que uma simples troca de posições em um ranking, o desempenho levanta uma questão importante para quem acompanha o setor: o crescimento das motos no Brasil está sendo impulsionado apenas pela compra de veículos particulares ou também por novas formas de acesso à mobilidade? Os números de agosto ajudam a responder essa dúvida.

Mottu ultrapassa Shineray e muda o ranking das motos no Brasil

A Mottu fechou agosto com 11.983 emplacamentos e participação de 5,84% no mercado brasileiro de motocicletas. A Shineray, que tradicionalmente ocupa a terceira posição entre as marcas, registrou 11.392 unidades e ficou com 5,55%. Embora a diferença seja relativamente pequena, de 591 motocicletas, o resultado tem peso simbólico porque mostra que uma empresa baseada em um modelo de locação conseguiu superar uma fabricante tradicional em um mês completo de vendas.

O desempenho foi concentrado em um único produto: a Mottu Sport 110i. A motocicleta, produzida pela TVS e montada no Brasil, alcançou 11.983 emplacamentos em agosto, estabelecendo um novo recorde mensal para o modelo. Em julho, haviam sido 11.397 unidades, número que já havia superado o recorde anterior de 11.368 registrado em outubro de 2025. A Sport 110i é destinada exclusivamente à frota de locação da Mottu e pode ser utilizada por clientes por meio do aplicativo da empresa.

Esse detalhe ajuda a interpretar corretamente o ranking. A Mottu não está disputando diretamente o consumidor tradicional que entra em uma concessionária para comprar uma moto para uso particular, como acontece com Honda, Yamaha ou Shineray. Sua estratégia explora principalmente a demanda por mobilidade de baixo custo e por veículos utilizados profissionalmente, especialmente por trabalhadores que dependem da motocicleta para entregas e deslocamentos diários. A Sport 110i utiliza motor monocilíndrico de 110 cm³, com 8,1 cv, torque de 0,9 kgf.m e câmbio de quatro marchas.

Por que as motos de baixa cilindrada continuam dominando o mercado

O avanço da Mottu acontece em um mercado que já demonstra forte preferência pelas motocicletas compactas. Segundo a Fenabrave, foram 205.190 motos emplacadas no Brasil em agosto, alta de 3% em relação a julho e de 10,6% na comparação com agosto de 2025. Entre janeiro e agosto, o país acumulou 1.578.909 motocicletas, scooters e motonetas licenciadas, crescimento de 12,1% sobre o mesmo período do ano anterior.

A produção também acompanha esse movimento. A Abraciclo informou que as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 185.952 motocicletas em agosto, o melhor resultado do ano e uma alta de 13,4% sobre agosto de 2025. As motos de baixa cilindrada representaram 78,6% da produção do mês, enquanto as de média cilindrada responderam por 18,5% e as de alta cilindrada por apenas 2,9%. O cenário mostra que a demanda brasileira continua concentrada em veículos voltados principalmente à mobilidade cotidiana.

A liderança absoluta continua sendo da Honda, que registrou 131.427 motocicletas em agosto, equivalente a 64,05% do mercado. A Yamaha ficou em segundo, com 30.195 unidades e 14,72%, enquanto Mottu e Shineray disputaram o terceiro lugar e a Bajaj apareceu na quinta posição, com 3.521 emplacamentos. O ranking revela um mercado ainda bastante concentrado, mas no qual novas estratégias comerciais estão encontrando espaço para crescer.

Para o motorista brasileiro, essa expansão tem uma consequência prática: a motocicleta está ganhando ainda mais importância como ferramenta de mobilidade e trabalho. A própria Abraciclo destaca que a demanda vem sendo impulsionada tanto por deslocamentos cotidianos quanto pelo uso profissional, reforçando a importância das motos para a mobilidade urbana e a geração de renda. A Senatran, por sua vez, mantém dados atualizados sobre a frota nacional e permite acompanhar a evolução dos veículos registrados no país.

O que a ascensão da Mottu significa para quem pretende ter uma moto

A ascensão da Mottu não significa necessariamente que a empresa esteja prestes a dominar o mercado tradicional de motos. No acumulado de janeiro a agosto, a Shineray ainda permanece à frente, com 96.536 emplacamentos e 6,11% de participação, enquanto a Mottu soma 78.970 unidades e 5% do mercado. A diferença é de 17.566 motocicletas, o que mostra que a ultrapassagem de agosto ainda representa uma disputa mensal, e não uma mudança consolidada na liderança anual.

Mesmo assim, o resultado merece atenção porque introduz uma nova lógica no mercado brasileiro. O consumidor já não precisa necessariamente pensar apenas em comprar ou financiar uma motocicleta para ter acesso a ela, enquanto empresas podem utilizar frotas específicas para atender profissionais que precisam trabalhar diariamente sobre duas rodas. Esse modelo também ajuda a explicar por que uma motocicleta de baixa cilindrada pode alcançar volumes de emplacamento muito expressivos mesmo sem ser comercializada da mesma maneira que uma moto convencional. Para quem pretende comprar, é importante separar o sucesso de uma frota de locação da experiência e dos custos de uma motocicleta adquirida para uso pessoal.

A expansão do segmento também aumenta a importância de avaliar segurança, manutenção, consumo, seguro e regularização antes de escolher uma moto. A consulta dos dados do veículo pode ser feita pelos serviços digitais da Senatran, que permitem ao proprietário acessar informações dos veículos registrados em seu nome. Para quem está pesquisando uma moto usada, verificar documentação, histórico e eventuais restrições continua sendo tão importante quanto comparar preço e quilometragem.

O resultado de agosto, portanto, é mais interessante pelo que revela do que pela diferença de 591 motos entre Mottu e Shineray. O Brasil está comprando e utilizando mais motocicletas, enquanto modelos compactos continuam sendo os protagonistas desse crescimento. Ao mesmo tempo, a expansão de serviços de locação mostra que o acesso à mobilidade pode assumir formatos diferentes da tradicional compra financiada.

Para quem ama motos, o cenário deixa uma mensagem clara: o mercado brasileiro está ficando mais diversificado, mesmo com a enorme liderança da Honda. A disputa entre Mottu e Shineray mostra como preço, praticidade, trabalho e novas formas de uso podem alterar rapidamente o ranking mensal. E, com mais de 205 mil motocicletas emplacadas somente em agosto, a tendência é que as duas rodas continuem ocupando um espaço cada vez maior na mobilidade brasileira.

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