Reforço escolar como política de inclusão: O modelo educacional que Eloizo Gomes Afonso Duraes construiu no Jaguaré

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Diego Rodríguez Velázquez
4 Min Read

Existe uma diferença fundamental entre oferecer um serviço educacional e construir uma política de inclusão. O primeiro responde a uma demanda imediata; o segundo transforma estruturas. Eloizo Gomes Afonso Duraes, ao implantar o programa de reforço escolar na Fundação Gentil Afonso Duraes em fevereiro de 2004, fez as duas coisas ao mesmo tempo: respondeu à necessidade urgente das crianças da comunidade e criou uma estrutura capaz de produzir impacto de longo prazo.

O problema que o reforço veio resolver

Para compreender a relevância do programa, é preciso entender o contexto em que ele nasceu. Crianças de comunidades vulneráveis frequentam escolas públicas com estrutura frequentemente precária, turmas numerosas e professores sobrecarregados. Chegam em casa sem suporte para realizar as tarefas, sem adultos disponíveis para explicar o conteúdo e sem recursos para contratar ajuda especializada. 

O resultado é um ciclo de defasagem escolar que, se não for interrompido cedo, tende a se aprofundar com o tempo. Eloizio Gomes Afonso Dures identificou esse ciclo e decidiu interferir nele com uma solução concreta: um espaço estruturado, com profissionais dedicados, onde crianças pudessem receber o apoio pedagógico que a escola regular não conseguia oferecer de forma individualizada.

A estrutura que faz a diferença

O programa atende quatro turmas de crianças entre 7 e 14 anos, com capacidade para até 40 alunos. O funcionamento é regular e consistente: de segunda a sexta-feira, tanto no período da manhã, das 8h às 11h30, quanto à tarde, das 13h20 às 17h10. Essa regularidade tem um valor pedagógico que vai além do conteúdo ensinado: ela cria uma rotina, e rotinas estruturadas são fundamentais para o desenvolvimento de crianças em ambientes marcados pela instabilidade.

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Eloizo Gomes Afonso Duraes

O transporte gratuito disponibilizado para todas as crianças, com entrada pelo portão 13 do CEAGESP, elimina uma barreira que poderia tornar o serviço inacessível mesmo sendo gratuito. Em famílias que vivem com renda muito limitada, o custo do deslocamento pode ser o fator decisivo entre participar ou não de qualquer programa social. Eloizo Gomes Afonso Duraes compreendeu isso e removeu o obstáculo antes que ele se tornasse um problema.

Além do conteúdo acadêmico

O reforço escolar da Fundação Gentil não é uma simples repetição do conteúdo da escola regular. É um espaço de atenção individualizada, onde cada criança pode avançar no seu ritmo, esclarecer dúvidas que a dinâmica de uma sala de aula convencional raramente permite e desenvolver uma relação mais segura com o aprendizado.

Esse ambiente acolhedor tem consequências que vão além das notas. Crianças que passam pelo programa chegam à escola com mais confiança, mais disposição para participar e menos medo de errar. A autoestima, o senso de capacidade e a motivação para aprender são desenvolvidos de forma paralela ao conteúdo acadêmico, e esses fatores têm peso enorme no desempenho escolar de longo prazo.

Um modelo com potencial de replicação

O que Eloizio Gomes Afonso Duraes construiu no Jaguaré é, em muitos aspectos, um modelo que poderia inspirar políticas públicas de apoio à aprendizagem complementar. A combinação de acesso facilitado, estrutura física adequada, continuidade ao longo do tempo e abordagem pedagógica sensível às necessidades individuais produz resultados que iniciativas pontuais e fragmentadas raramente alcançam.

A durabilidade do programa, que existe há mais de vinte anos, é em si mesma um indicador de eficácia. Projetos que não produzem resultados não sobrevivem duas décadas. A Fundação Gentil sobreviveu, cresceu e expandiu para outros estados, o que diz mais sobre seu impacto real do que qualquer relatório poderia expressar.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Share This Article