Como a economia circular pode transformar o futuro sustentável dos municípios brasileiros?  

Marcello José Abbud
Diego Rodríguez Velázquez
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Marcello José Abbud, especialista em soluções ambientais, aponta que a economia circular oferece um conjunto de ferramentas concretas e comprovadas para enfrentar um dos problemas mais graves da gestão pública brasileira: o passivo ambiental acumulado pela destinação inadequada de resíduos sólidos urbanos ao longo de décadas. 

A transição para um modelo circular de gestão de resíduos não é apenas uma medida preventiva para o futuro, mas também uma estratégia eficaz de reparação ambiental para o presente. Se a sua gestão municipal enfrenta o legado dos lixões ou aterros degradados, este conteúdo apresenta caminhos reais para começar a reversão.

O que é passivo ambiental e como ele se forma nos municípios brasileiros?

O passivo ambiental é o conjunto de danos ambientais causados por atividades humanas que ainda não foram reparados e que representam obrigações presentes ou futuras de remediação e recuperação. No contexto da gestão de resíduos sólidos urbanos, esse passivo se manifesta principalmente na forma de lixões a céu aberto, aterros controlados inadequados, solos e lençóis freáticos contaminados por chorume, emissões não controladas de metano e áreas urbanas degradadas pela proximidade com locais de disposição irregular de resíduos. 

O Brasil acumulou décadas de disposição inadequada de RSU, e esse legado representa um custo ambiental, social e financeiro que recai sobre os municípios e suas populações. Conforme destaca Marcello José Abbud, o passivo ambiental gerado pela gestão inadequada de resíduos sólidos urbanos é uma herança que os municípios brasileiros precisam enfrentar com urgência e estratégia. 

Como a economia circular atua diretamente sobre o passivo ambiental?

A economia circular reduz o passivo ambiental municipal ao atacar o problema em sua raiz: a disposição inadequada de resíduos sólidos urbanos. Ao maximizar a valorização de resíduos e minimizar o volume de rejeitos que chegam à disposição final, ela diminui progressivamente a quantidade de material que alimenta lixões e aterros degradados. Paralelamente, os processos de valorização que caracterizam o modelo circular, como a compostagem, a digestão anaeróbia e a reciclagem avançada, geram produtos úteis a partir de resíduos, substituindo a lógica do descarte pela lógica da reintegração ao ciclo produtivo.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Marcello José Abbud explica que a economia circular não elimina o passivo ambiental já existente de forma automática, mas cria as condições operacionais e financeiras para que os municípios possam tratá-lo com consistência. A receita gerada pela valorização de resíduos, a redução dos custos de disposição final e os incentivos de ESG associados à melhoria da gestão ambiental são fontes de recursos que podem ser direcionadas para a remediação das áreas degradadas acumuladas ao longo do tempo.

Como a economia circular pode transformar áreas degradadas por lixões em espaços sustentáveis?

O encerramento e a recuperação de lixões são uma das frentes mais urgentes da agenda ambiental municipal no Brasil. Essas áreas concentram décadas de resíduos não tratados, com alto potencial de contaminação do solo e das águas subterrâneas, e representam riscos concretos à saúde das comunidades vizinhas. 

A economia circular contribui para essa recuperação ao fornecer o arcabouço conceitual e tecnológico para tratar os resíduos ainda presentes nessas áreas, gerar energia a partir deles e criar condições para a reintegração dessas áreas ao tecido urbano. Tal como evidencia Marcello José Abbud, especialista em soluções ambientais, a recuperação de lixões com base nos princípios da economia circular transforma passivo em ativo, convertendo áreas degradadas em espaços produtivos, parques energéticos ou zonas verdes recuperadas.

Cidades brasileiras implementam economia circular como solução para a crise ambiental  

Como conclui Marcello José Abbud, a economia circular é, ao mesmo tempo, uma estratégia de prevenção e de reparação do passivo ambiental gerado pela gestão inadequada de resíduos sólidos urbanos. Municípios brasileiros que adotam seus princípios e investem nas tecnologias de inovação ambiental disponíveis constroem sistemas de gestão de resíduos mais eficientes, reduzem o impacto ambiental acumulado e criam novas oportunidades econômicas a partir da valorização de resíduos. Por esse prospecto, avançar nessa agenda não é apenas uma obrigação ambiental, mas uma decisão estratégica de quem entende que o desenvolvimento sustentável começa pela forma como tratamos o que descartamos.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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