Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a solidão na velhice pode atingir homens e mulheres, mas a forma como os vínculos sociais foram construídos durante décadas influencia a maneira de enfrentar perdas e mudanças nessa fase da vida. Aspectos físicos, emocionais e sociais se relacionam diretamente com a experiência do envelhecimento e ajudam a compreender diferentes situações de isolamento.
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Por que alguns homens percebem a solidão mais tarde?
Durante a vida adulta, parte dos homens concentra uma parcela importante de suas relações no trabalho, na família e em atividades vinculadas a esses ambientes. Enquanto essa estrutura permanece ativa, pode existir contato frequente com colegas e conhecidos sem que seja necessário construir deliberadamente uma rede social fora desses espaços. Com isso, algumas relações permanecem ligadas principalmente à rotina profissional e podem perder frequência quando essa etapa da vida chega ao fim.
A aposentadoria pode modificar essa dinâmica rapidamente, comenta o Doutor Yuri Silva Portela. Além da mudança financeira e profissional, desaparecem conversas, compromissos, deslocamentos e encontros que organizavam boa parte da semana. Se não existem outros vínculos consolidados, a rotina pode se tornar mais restrita sem que a própria pessoa identifique imediatamente essa transformação como isolamento.
A viuvez pode afetar homens de maneira particular? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
Perder uma companheira depois de décadas de convivência significa reorganizar praticamente todos os aspectos da vida cotidiana. A ausência não está apenas nos momentos afetivos. Pode aparecer nas refeições, nos compromissos sociais, na administração da casa e nas relações que anteriormente eram mantidas pelo casal. Atividades simples podem ganhar outro significado quando deixam de ser compartilhadas, exigindo uma adaptação que não acontece necessariamente de forma rápida.
Em alguns casos, a companheira também ocupava uma posição importante na manutenção dos vínculos familiares e sociais. Depois da perda, o homem pode continuar tendo parentes e conhecidos, mas participar menos de encontros ou deixar de procurar essas pessoas espontaneamente. Com o tempo, relações antes frequentes podem se tornar ocasionais. Essa redução gradual do convívio pode passar despercebida até que a rede de contatos esteja consideravelmente menor do que era anteriormente.

Por isso, como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, oferecer apoio não significa simplesmente manter o idoso constantemente acompanhado. A reconstrução da rotina precisa considerar escolhas e preferências individuais. Incentivar atividades, recuperar contatos e criar oportunidades de convivência pode ser mais significativo do que apenas preencher o tempo disponível. O objetivo é favorecer vínculos que façam sentido para a pessoa e permitam reconstruir uma vida social compatível com seus interesses e com a nova fase vivida.
Isolamento e solidão significam a mesma coisa?
Não necessariamente. Uma pessoa pode morar sozinha, ter poucos encontros presenciais e sentir-se confortável com essa organização. Outra pode viver com familiares e experimentar profunda solidão. A diferença ajuda a evitar a ideia de que qualquer homem idoso que passe muito tempo sozinho esteja necessariamente sofrendo. A qualidade e o significado das relações podem ser mais relevantes do que simplesmente o número de contatos mantidos ao longo da semana.
A solidão envolve uma percepção subjetiva de que os vínculos existentes não correspondem às necessidades de conexão da pessoa. Já o isolamento social está mais relacionado à quantidade e à frequência das interações. Embora possam acontecer simultaneamente, são situações diferentes e exigem que o contexto individual seja considerado. Compreender essa distinção também ajuda a identificar se a pessoa deseja ampliar sua convivência ou se está satisfeita com uma rotina social mais reservada.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, essa distinção também reforça a necessidade de evitar interpretações baseadas apenas na aparência da rotina. Perguntar sobre amizades, atividades e satisfação com a convivência pode revelar mais do que simplesmente contabilizar quantas pessoas vivem na mesma residência. Esse olhar permite compreender se existe uma escolha consciente por maior privacidade ou se a redução dos vínculos está provocando sofrimento e afastamento progressivo da vida social.